terça-feira, 27 de setembro de 2011

Comentando os (meus) Monkeys no Jay (Leno)

Porque eu ainda não tinha comentado nada dos meus Monkeys...






Quando você começa a achar atraente um ser humano que é o Wolverine da terra da rainha (sem tudo que Hugh Jackman tem a nos oferecer, obviamente), é porque não é a sua vó que pede pra você arranjar um namorado, É O TEU CORPO QUE IMPLORA pra você começar a olhar pros lados a procura de um par... O tempo tá passando 'mulé', daqui a pouco você tá achando o Neymar atraente... (tá, exagerei aqui...)


E a orelha?! Parece o Ema pré-cirurgia - aqui entra toda aquela análise "freudiana" (quer saber o que isso significa?! Esse blog é patrocinado pela Google mentira!, então joga lá a expressão entre aspas que ele te responde num segundo - sério mesmo) sobre sentir atração por pessoas parecidas com seus familiares, incesto e complexo de Édipo (já sabe, né?! Pra saber o que significa "incesto", "complexo de Édipo" ou "familiares" brinks!, é pra isso que serve o Google) - Blé.


Agora, ele de costas, naquela pose, estralando os dedos... Não sei se rio ou choro...


Um dia Nick (baixo) já foi bonito... Isso foi em Favourite Worst Nightmare, e agora ele é gordo e meio esquisito.


Já James (guitarra) nunca me interessou, porque essa cara de texano retardado que sabe matar um boi mas não sabe contar até dez me deprime - e muito.


Agora, um que eu admito que pegaria (facilmente) em qualquer época da banda é o Matt. Todos mudam estilo de roupa, cabelo e afins e o cara se mantem no moletom e muitas caretas enquanto toca. E eu o amo por isso. 


Fala sério, ele tinha tudo pra ser mais um Ringo (Chad Smith que é chamado de Jack Irons, batera das antigas do RHCP, em matéria da página do MSN) e vai lá e se torna o Lars. É o mais engraçado, o mais comunicativo, o mais gato, deve bater no James Alex e tá nem aí pra nada. E li em algum lugar (que agora não me lembro) que ele é um dos melhores bateristas da atualidade - detalhe: ele não escolheu ser baterista, esse foi o instrumento que sobrou.


Ele toca de óculos escuros num ambiente fechado - tá, parei de falar do Matt.


O Alex é considerado um dos caras mais "bem-vestidos" do UK. Isso é verdade. Mas me parece muito gay também...


Reckless Serenade é a minha favorita do álbum - sério mesmo. Me faz odiá-los por terem escolhido "The Hellcat...qualquer coisa" pra ser single em vez dessa jóia rara... Simplesmente a "Fluorescent Adolescent"/"Cornerstone" do álbum... Essa batidinha inofensiva esconde uma das melhores letras dos caras...


Olha o tamanho do nariz da criança (que canta). Não é complexo de Édipo, eu me vejo nele, isso sim... Só que sem o sotaque britânico super charmoso e toda a grana, o talento pra escrever músicas ou pra tocar guitarra enquanto canta afinadamente nem a ex-namorada gatinha it-girl que provavelmente o chifrou com um qualquer de uma banda qualquer que eu desejo que faça menos sucesso que a Patrícia do Teatro Mágico do Renan - Oops! Ou seja, só temos o nariz parecido mesmo (mas o meu é menor).


Gente, já deu tempo de vocês verem esse vídeo - umas três vezes até (se vocês não lerem rápido igual a mim). E no fim vemos o Jay cumprimentando todos os integrantes MENOS nosso querido e amado e desejado Matt. Jay será demitido por isso, so sorry. Ryan delícia não comete esse erro, e sobe ainda mais no meu conceito. E pra todos que repararam que o Alex reparou no 'derrière' (GOOGLE!) da moça (que eu não sei nem o nome, e olha, nem faço questão) eu  te digo: QUE INVEJA DESSA CREYÇA! Porque não basta ir vestida daquele jeito (credo! parece eu quando vou trabalhar) no programa do JAY LENO, ainda tem que ficar no sofá de conversinha fiada com o meu Ryan, e chamar a atenção do meu Alex... CREYÇA MALDITA!

Maria Docente: A Barbie e o Enem,

Maria Docente: A Barbie e o Enem,: (Maria Cristina Schefer) Onipresente, não se sabe bem em que escola a Barbie “dá o ar da graça”. Afinal, quem poderia instruir a donzela que possui barcos, trailers, aviões, academias e até um foguete?

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Um Devaneio

A avenida sempre movimentada ficou deserta, e eu senti vontade de atravessá-la, sem motivo algum. Veja bem, não havia necessidade alguma de fazer isso, afinal, do lado que eu estava passaria o ônibus que me levaria pra casa, e por dedução, o ônibus do outro lado me levaria pra mais longe dela... Mas não era uma necessidade o que eu sentia, e sim um desejo. Eu só não queria ficar parada naquele ponto sozinha, enquanto o vento gelado rasgava o calor que aquela blusa leve tentava manter... 
E esse mesmo vento me fazia imaginar coisas, como se eu fosse tão leve como a blusa que me cobria, ele me levaria para o meio da avenida, justamente no momento em que um carro viria em alta velocidade e não haveria como evitar um acidente fatal. Eu sei, muito dramático. "Você pesa um pouco nas tintas", me diria um pintor mais experiente, mas é justamente a experiência que me separa dele, e enquanto jovem e imatura eu provavelmente serei mais dramática e melancólica...
Bom, isso é só uma abstração, como ela diria. Eu tenho muitas dessas durante o dia, mais do que gostaria ter. Uma abstração é um pensamento ruim, não como alguns dizem sobre pensamentos ruins, que nada mais são que as verdades que você deve descobrir por si só, mas muitos não querem que você descubra... Uma abstração é um pensamento ruim porque é sempre banal e muitas vezes pode ser prejudicial - pelo menos é assim comigo...
Eu só queria um lixo pra por o papel da bala que agora está na minha boca (a bala, não o papel), mas não há nenhum por perto, porque muito provavelmente vândalos acabaram com os (poucos) lixos próximos... Vândalos devem ter muitas abstrações, isto é, se eles pensarem em alguma coisa. É estranho pensar nisso, mas se eu tenho tantas abstrações enquanto conheço alguns que nunca as têm (não que eu os tenha perguntado, mas isso é algo que você percebe nas pessoas, se elas se abstraem ou não), talvez seja possível que algumas pessoas no mundo nunca pensem - nem pro bem, nem pro mal. Mas a verdade é que eu não quero pensar em vândalos que não pensam enquanto estiver numa avenida mal-iluminada numa noite escura e gelada, sozinha no ponto de ônibus. 
Você já olhou pras casas nas ruas e se perguntou como são os lares? Veja bem, são coisas distintas. Casas, apesar de muito diferentes, são muito iguais. São compostas por cômodos, um pra se cozinhar, outro pra se lavar e um outro pra dormir, e tantos outros quantos possíveis, não necessariamente necessários, mas se você tem espaço, por que não? Sempre arranjamos utilidade pras coisas, mesmo as inúteis. É da nossa natureza isso.
Mas eu falava sobre lares, e embora lhe digam que são todos iguais, bem, esses são realmente muito diferentes uns dos outros. Mesmo que a formação familiar seja a mesma, as pessoas que o formam são muito diferentes. Eu olhava para o terraço de um apartamento, e me perguntava se aquilo próximo à porta de vidro era um violão, e se quem o tocava era uma garota de cabelos compridos e levemente ondulados, talvez meio loiros, e  se ela gosta das baladas românticas de antigamente, mas finge gostar das músicas pop atuais, por medo de não ter amigos se não for dessa forma. Veja só que mundo injusto, ela ainda terá que suportar muita coisa até descobrir que os verdadeiros amigos gostarão dela indepentemente do tipo de música que ela gostar, ou talvez seja isso mesmo que eles mais gostem nela... Mas ela ainda não sabe disso.
Bom, mas eu agora saio desse devaneio, porque o ônibus chegou, o vento não me levou para o meio da avenida pra me matar, nenhum vândalo sem pensamento apareceu para destruir lixos ou telefones públicos e  aquela garota (que teria um dos meus nomes favoritos - Sofia, Alice ou Poliana) não apareceu no terraço com seu violão para tocar uma antiga balada romântica. Eu a entendo. O vento gelado estava de cortar o coração.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

A Alma não precisa de Ômega 3

As noites de insônia, em pleno verão que aprisiona a cidade na onda de calor, não costumam ser profícuas. Ao contrário, geralmente estendem-se lânguidas e vagarosas sobre a cama do estio, fitando o céu sem estrelas, à espera do dia seguinte. Há certas noites, como a de hoje, por exemplo, quando me sento para escrever a crônica, em que tudo é silêncio. Não há vento e a cidade parece ressentir-se do calor extremo. Não há nada, nem ninguém nas ruas. Na varanda, olho os mistérios do cosmo e penso no quão facilmente nos esquecemos de que nosso velho planeta não ocupa o centro dele.


Como se a razão entendesse Copérnico, mas a emoção continuasse rendida ao geocentrismo de Ptolomeu. Enfim, divagações solitárias madrugada adentro, frutos de uma mente que não consegue operar as inúmeras funções necessárias para que simplesmente eu consiga adormecer.


Deixei as estrelas e vim para o computador, onde naveguei um pouco, atrás da inspiração para a crônica. Buscando a palavra, a história ou a saudade que me tome pela mão e me leve ao mundo das palavras. Visitei alguns poetas de que gosto, outros que conheço pouco e que ainda quero conhecer. Deveríamos todos ler um poema por dia. As escolas deveriam iniciar seus trabalhos com um poema antes da maratona de aulas. Faz bem ao coração. Durante anos alimentei a fantasia de que as cidades deveriam operar emergências poéticas. Estabelecimentos que nos devolvessem a capacidade de sonhar e adivinhar novos mundos, e que existiriam em cada bairro, abertos noite e dia, devolvendo humanidade aos pacientes. Na falta desta utopia, a internet é uma boa opção para quem, como eu, gosta de visitar a poesia regularmente.


Enfim, já tarde, bem tarde, acabei visitando Christina Rossetti, poetisa romântica inglesa que nos deixou uma obra delicada, de devoção e entrega. Rossetti foi deixada de lado pela onda modernista, mas na décadade 70, o feminismo a trouxe de volta ao panteão das letras. Cometi a heresia de traduzir um soneto dela, porque senti vontade de dividi-lo com vocês e porque trabalhar me ajuda a atravessar a noite, sem a desagradável sensação de ser o único ser acordado na cidade. A tradução não é grande coisa, mas a intenção é das melhores. De modo que a última página de hoje, para os leitores, encerra-se com poesia e, nos dias que correm, acreditem, a poesia é tão importante como o ômega 3. O corpo vai deteriorar-se mais cedo ou mais tarde, mas as centelhas de inspiração avançam pelo tempo, como a luz acesa pelo poeta. Ao soneto, então:


Aqui pensando, em tudo o que perdi,
No que teria sido e jamais será,
Tua excelência vem me assegurar,
Que não sou merecedora de ti.

A mágoa é minha, que teimo em cair,
Que teimo em morrer, que teimo em deitar,
Querendo encolher, querendo chorar
Fitando a parede pra não mais fugir

E ainda assim, porque há esperança,
Rasgando a noite, o amor avança
E luta até que amanheça o dia,
Quando, enfim, esgotada, entrego o poder
E assisto a meu coração florescer,
Pronta a aceitar que por ti morreria.
Miguel Falabella é ator, diretor, dramaturgo e autor de novelas

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Versos Íntimos - Augusto dos Anjos

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

 

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Para Maria da Graça (Paulo Mendes Campos)

Agora que chegaste à idade avançada de 15 anos, Maria da Graça, eu te dou este livro: Alice no país das Maravilhas.


Este livro é doido, Maria. Isto é: o sentido dele está em ti.


Escuta: se não descobrires um sentido na loucura acabarás louca. Aprende, pois, logo de saída para a grande vida, a ler este livro como um simples manual do sentido evidente de todas as coisas, inclusive as loucas. Aprende isso a teu modo, pois te dou apenas umas poucas chaves entre milhares que abrem as portas da realidade. A realidade, Maria, é louca.


Nem o Papa, ninguém no mundo, pode responder sem pestanejar à pergunta que Alice faz à gatinha: “Fala a verdade, Dinah, já comeste um morcego?”.


Não te espantes quando o mundo amanhecer irreconhecível. Para melhor ou pior, isso acontece muitas vezes por ano. “Quem sou eu no mundo?” Essa indagação perplexa é o lugar comum de cada história de gente. Quantas vezes mais decifrares essa charada, tão entranhada em ti mesma como os teus ossos, mais forte ficarás. Não importa qual seja a resposta; o importante é dar ou inventar uma resposta. Ainda que seja mentira.


A sozinhez (esquece essa palavra que inventei agora sem querer) é inevitável. Foi o que Alice falou no fundo do poço: “Estou tão cansada de estar aqui sozinha!” O importante é que ela conseguiu sair de lá, abrindo a porta. A porta do poço! Só as criaturas humanas (nem mesmo os grandes macacos e os cães amestrados) conseguem abrir uma porta bem fechada, e vice-versa, isto é, fechar uma porta bem aberta.


Somos todos bobos, Maria. Praticamos uma ação trivial, e temos a presunção petulante de esperar dela grandes conseqüências. Quando Alice comeu o bolo, e não cresceu de tamanho, ficou no maior dos espantos. Apesar de ser isso o que acontece, geralmente, às pessoas que comem bolo.


Maria, há uma sabedoria social ou de bolso; nem toda sabedoria tem de ser grave.


A gente vive errando em relação ao próximo e o jeito é pedir desculpas sete vezes por dia: “Oh, I beg your pardon!” Pois viver é falar de corda em casa de enforcado. Por isso te digo, para a tua sabedoria de bolso: se gostas de gato, experimenta o ponto de vista do rato. Foi o que o rato perguntou à Alice: “Gostarias de gatos se fosses eu? “.


Os homens vivem apostando corrida, Maria. Nos escritórios, nos negócios, na política nacional e internacional, nos clubes, nos bares, nas artes, na literatura, até amigos, até irmãos, até marido e mulher, até namoradas, todos vivem apostando corrida. São competições tão confusas, tão cheias de truques, tão desnecessárias, tão fingindo que não é, tão ridículas muitas vezes, por caminhos tão escondidos que, quando os atletas chegam exaustos a um ponto, costumam perguntar: “A corrida terminou! Mas quem ganhou?” É bobice, Maria da Graça, disputar uma corrida se a gente não irá saber quem  venceu. Se tiveres de ir a algum lugar, não te preocupe a vaidade fatigante de ser a primeira a chegar. Se chegares sempre aonde quiseres, ganhastes.


Disse o ratinho: “Minha história é longa e triste!” Ouvirás isso milhares de vezes. Como ouvirás a terrível variante: “Minha vida daria um romance”. Ora, como todas as vidas vividas até o fim são longas e tristes, e como todas as vidas dariam romances, pois o romance é só o jeito de contar uma vida, foge, polida mas energicamente, dos homens e das mulheres que suspiram e dizem: “Minha vida daria um romance!” Sobretudo dos homens. Uns chatos irremediáveis, Maria.


Os milagres sempre acontecem na vida de cada um e na vida de todos. Mas, ao contrário do que se pensa, os melhores e mais fundos milagres não acontecem de repente, mais devagar, muito devagar.  Quero dizer seguinte: a palavra depressão cairá de moda mais cedo ou mais tarde. Como talvez seja mais tarde, prepara-te para a visita do monstro, e não te desesperes ao triste pensamento de Alice: “Devo estar diminuindo de novo”. Em algum lugar há cogumelos que nos fazem crescer novamente.


E escuta esta parábola perfeita: Alice tinha diminuído tanto de tamanho que tomou um camundongo por um hipopótamo. Isso acontece muito, Mariazinha. Mas não sejamos ingênuos, pois o contrário também acontece. E é um outro escritor inglês que nos fala mais ou menos assim: o camundongo que expulsamos ontem passou a ser hoje um terrível rinoceronte: É isso mesmo. A alma da gente é uma máquina complicada que produz durante a vida uma quantidade imensa de camundongos que parecem hipopótamos e de rinocerontes que parecem camundongos. O jeito é rir no caso da primeira confusão e ficar bem disposto para enfrentar o rinoceronte que entrou em nossos domínios disfarçado de camundongo. E como tomar o pequeno por grande e o grande por pequeno é sempre meio cômico, nunca devemos perder o bom humor.


Toda pessoa deve ter três caixas para guardar humor: uma caixa grande para humor mais ou menos barato que a gente gasta na rua com os outros; uma caixa média para humor que a gente precisa ter quando está sozinho, para perdoares a ti mesma, para rires de ti mesma; por fim, uma caixinha preciosa, muito escondida, para as grandes ocasiões. Chamo de grandes ocasiões os momentos perigosos em que estamos cheios de dor ou de vaidade, em que sofremos a tentação de achar que fracassamos ou triunfamos, em que nos sentimos umas drogas ou muito bacanas. Cuidado, Maria, com as grandes ocasiões.


Por fim, mais uma palavra de bolso: às vezes uma pessoa se abandona de tal forma ao sofrimento, com uma tal complacência, que tem medo de não poder sair de lá. A dor também tem o seu feitiço, e este se vira contra o enfeitiçado. Por isso Alice, depois de ter chorado um lago, pensava: “Agora serei castigada, afogando-me em minhas próprias lágrimas”.


Conclusão: a própria dor deve ter a sua medida: É feio, é imodesto, é vão, é perigoso ultrapassar a fronteira de nossa dor, Maria da Graça.


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Sã Loucura

Acordou sentindo-se diferente, com um gosto diferente na boca. Talvez o "acre" que Drummond tanto falasse... Não sabia do que se tratava, porém. Ressaca não era, pois não bebia. Indigestão muito menos, pois sentia-se ótima, sem enjoos ou cólicas. Um pouco cansada sim, dormira mal a última noite, mas noites mal-dormidas não deixam gostos estranhos na boca, até onde ela sabia. Enfim, não soubera explicar o que sentia, logo não era nada. Mas era. Aquilo a incomodava. Não conseguir definir o que sentia era não saber a solução pro seu problema, ou pelo menos por onde começar a procurar. Sair de casa com uma inquietação dessa em plena segunda-feira não era nada fácil. Desejou na hora ser fanática por horóscopo, assim ligaria pro escritório e avisaria não ser possível ir hoje ao serviço, "porque os astros assim a aconselhavam". Mas não faria isso, nunca conseguiria enganar alguém. "Você é muito honesta", comentou uma amiga, de forma banal, e mais como um elogio que qualquer outra coisa. Mas soava como uma aguilhoada no peito, como se lhe mostrassem sua pior face. Era honesta demais, sincera demais. Era em nada misteriosa, sinuosa, esperta. Era tão honesta que não saberia fingir estar bem, nem fingir estar mal por um motivo qualquer que fosse plausível, bom, justo, real. Como explicar a outros que acordara sentindo um gosto diferente na boca, e isso lhe causava mal-estar? Loucura em pessoas sãs tem limites, mas isso era ultrapassá-los todos, ela bem sabia disso. Então era isso: ela enlouquecera, pura e simplesmente, da noite pro dia, enquanto dormia. Por isso o gosto estranho - deve ser diferente o gosto da boca dos loucos. Isso era um começo. Ela era honesta demais pra fingir loucura. Se sentia-se louca é porque realmente o era. Não conseguiria viver mais entre os sãos, pois não saberia fingir ser como eles. contaria segredos que lhe foram confiados, diria verdades inconvenientes, falaria coisas que fariam sentido só pra si mesma. Tornaria-se insuportável. Era isso, o começo. O gosto que sentia no fundo da boca, entalado na garganta, nunca conseguiria fingir aquilo. Aquilo era real pra ela, sua nova realidade, sua nova vida. Respirou fundo. Ligaria pro escritório. Enquanto ouvia o telefone chamando, podia ver um sapato preto de salto alto e bico fino, andando até o aparelho. Podia ouví-los - clac, clac, clac. Um "alô" ressoou em sua mente, fez eco. Empalideceu, se perdeu. Só conseguiu dizer uma palavra: 
- Enlouqueci.

Tamanho

Prédios altos
Pra homens baixos


Carros grandes
Pra homens pequenos


Tentando compensar
Naquilo que tem
O que não são

Chá Doce e o Nosso Comportamento

Acabei de tomar um chá doce. Um chá tão doce, mas tão insuportavelmente doce, que vislumbrei (porque não me atrevo a dizer que experimentei) o sufoco sentido por uma amiga ao fazer um teste de curva glicêmica (um pequeno parenteses aqui para explicar que isso é um exame para medir as alterações dos níveis de glicose - açúcar - no sangue. Um exame para diagnosticar Diabetes ou o contrário dela). E porque eu estou falando sobre chás doces ou exames de diabetes, ainda mais nesse blog, que costuma ser mais reflexivo que os meus outros?
Well, well, eu amo doce. E exageros também. Tanto que a minha mãe diz que o que eu faço ou é BEM doce ou BEM salgado, BEM quente ou BEM gelado. E mesmo assim, eu não suportei esse chá, de tão melado (é como as meninas aqui da secretaria se referem ao que é muito doce) que estava. Esse chá ultrapassou o limite aceitável, até pra quem tem parâmetros tortos, como eu. 
E o mesmo ocorre com as pessoas. Tem gente que é tão doce que enjoa. Tem gente que é tão azeda que faz a gente por a língua pra fora. Tem gente que é tão amarga que a gente faz até careta. Tem gente que é tão salgada que a gente até cospe. Ninguém que é só "um sabor" é agradável, ainda mais quando o é em exagero.
Acho até que ninguém seja realmente só "um sabor". Impossível não ser azeda quando o dia conspira contra você (e acredite, esses dias existem). Impossível também não ser salgada na hora de lutar pelo que acredita. Ou não ser doce quando está junto de quem te ama - e você ama em reciprocidade. Amargo é um sabor que eu acho que dá pra passar sem - mas não garanto.
Ou seja: seja feliz quando tiver que ser, seja alegre, amoroso, "doce" quando sentir vontade. Não seja sempre, se não a gente enjoa.

A Escrita

No começo era um traço
Mas do traço fez-se letra
E da letra fez-se sílaba
E da sílaba, palavra
E foi assim feita a escrita

E a escrita fez-se presente
Em momentos tristes e alegres
Nas mais diversas situações
Com os mais variados temas
Pois a escrita vem dos sentimentos

E tem o poder de nos levar a eles
E é capaz de resumir pensamentos
Consegue descrever sensações
Nos leva pra outros mundos
Nos transporta pra outros tempos

Nos guarda, nos preserva,
Apresenta-nos os que já se foram
Lembra-nos do que já passou
E assim também o fará
Com quem um dia ler sobre nós

E a escrita assim nos explica
De alguma forma nos desmistifica
Faz-nos mais humanos, ainda que escritores
Faz-nos escritores, ainda que humanos.